Fiquei pensando de onde provêm as coisas. Os simples acontecimentos da minha simples vida. De onde me vem a vontade de beber um copo de água? –Da necessidade fisiológica, mas de um ponto vista mais filosófico. De onde provêm os acontecimentos? Parece que o momento entre um copo de água e outro, há um espaço de tempo, há um vazio.
Como vou falar do vazio? Vazio é vazio. Um espaço de repouso entre um momento e outro. Para encher, necessita-se esvaziar. Não há como encher algo já está cheio. Veja que o papel do vazio é interessante. Ele dá-nos a possibilidade de preencher em um processo contínuo de esvaziamento e preenchimento.
Será então que a criação já está no vazio, ou ela se forma a partir do vazio? Será que o vazio é a própria criação? O que será o vazio? Falar sobre o visível, o palpável é sem dúvida mais fácil. Mas o que falar então de algo que não se vê?
Há quem diga que o espaço, o vazio é onde se encontra a utilidade. Como uma xícara: é no vazio da xícara que se encontra sua utilidade. Como uma janela: é no vazio da janela, que se encontra a sua utilidade.
Onde está minha utilidade? Parece que o que importa às vezes, não é minha transparência, minha simplicidade. A confusão da mente é algo que preenche, a confusão do dia-a-dia é algo que preenche. Com o que é cheio eu sei lidar muito bem, mas e o vazio?
O que sou sem meu ego? O que sou sem meus conceitos? Onde está meu vazio? -Acredito que não devém das coisas que crio. Do contrário, surgem das coisas que não crio. A minha mente não cria, ela desenvolve. Para preenchê-la de boas criações, preciso primeiro esvaziar.
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