sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Vazio

  Fiquei pensando de onde provêm as coisas. Os simples acontecimentos da minha simples vida. De onde me vem a vontade de beber um copo de água? –Da necessidade fisiológica, mas de um ponto vista mais filosófico. De onde provêm os acontecimentos? Parece que o momento entre um copo de água e outro, há um espaço de tempo, há um vazio.
  Como vou falar do vazio? Vazio é vazio. Um espaço de repouso entre um momento e outro. Para encher, necessita-se esvaziar. Não há como encher algo já está cheio. Veja que o papel do vazio é interessante. Ele dá-nos a possibilidade de preencher em um processo contínuo de esvaziamento e preenchimento.
Será então que a criação já está no vazio, ou ela se forma a partir do vazio? Será que o vazio é a própria criação? O que será o vazio? Falar sobre o visível, o palpável é sem dúvida mais fácil. Mas o que falar então de algo que não se vê?
  Há quem diga que o espaço, o vazio é onde se encontra a utilidade. Como uma xícara: é no vazio da xícara que se encontra sua utilidade. Como uma janela: é no vazio da janela, que se encontra a sua utilidade.
Onde está minha utilidade? Parece que o que importa às vezes, não é minha transparência, minha simplicidade. A confusão da mente é algo que preenche, a confusão do dia-a-dia é algo que preenche. Com o que é cheio eu sei lidar muito bem, mas e o vazio?
  O que sou sem meu ego? O que sou sem meus conceitos?  Onde está meu vazio? -Acredito que não devém das coisas que crio. Do contrário, surgem das coisas que não crio. A minha mente não cria, ela desenvolve. Para preenchê-la de boas criações, preciso primeiro esvaziar.  

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fazendo o nó

  Como eu posso ter a pretensão de melhorar o mundo se nem sequer meu quarto está em ordem? Roupa para um lado, coberta para o outro, e ao sair dele, percebo que mesmo ajudando o mundo meu quarto continua lá, sujo. Se eu quero arrumar o mundo, tenho que primeiro arrumar meu quarto. Escrevo esse texto olhando ao redor, vejo o reflexo do mundo, vejo o meu próprio reflexo. Sou culpado da minha própria sujeira.
  Então, a primeira coisa que vou fazer ao terminar esse texto é arrumar o quarto. Colocarei tudo no devido lugar: meus livros na ordem certa, cama arrumada, roupa arrumada. Sentirei-me mais limpo, mais suave, pronto para continuar a vida. De nada adianta arrumar o quarto se meus costumes continuam os mesmos. Ele pode ficar limpo por um ou dois dias, mas depois de algum tempo tudo retorna a mesma sujeira.
  Parece-me um trabalho constante. O quarto não vai se arrumar sozinho, preciso arrumá-lo todos os dias. Preciso colocar as coisas em ordem, preciso organizá-lo de forma sábia, para não acumular sujeira. Percebi que arrumar o quarto é uma arte, não posso ignorá-lo.
  Meu coração não vai mudar sozinho, minha mente não irá entender as coisas sem o meu consenso. A mente é limitada, se deixo acumular pó ao redor dela, ela ficará suja, cheia e obsoleta. Tenho que buscar todos os dias “arrumar” minha mente buscando entender suas intenções, suas deficiências, se não tomo conta dela, ela acumula sem parar. Fazer um nó é fácil, porém, desfazê-lo exige muita paciência e disciplina.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011


Não se dá o devido valor às pessoas. Então me dizem: - Eu meu cuido, faço exercícios regularmente, e me alimento bem. Ah, também cuido do próximo. Vou a instituições de caridade, dou tudo o que tenho para os mais pobres. – Isso é nobre, mas será que estamos cultivando com a mesma perseverança o nosso espírito? Será que estamos prestando atenção em nossas intenções? Elas são puras, ou estão baseadas em conceitos estabelecidos pelo nosso ego?
Enquanto fazemos a caridade de um lado, enchemo-nos de raiva e ódio do outro. “Esse mundo está uma decadência! Esses homens que só fazem o mal”. Ninguém nunca parou para pensar que esse tipo de pensamento só alimenta ainda mais o ódio. Ter ódio por pessoas que fazem o mal, não torna ninguém superior a ninguém. Não há como surgir o amor através do ódio, só se pode surgir o amor, através de amor. Temos que fazer o bem para as pessoas que não fazem o bem, só assim elas terão a oportunidade de conhecer a paz e o amor.
Se toda ação tem uma reação, portanto, todos os meus atos partem de algo mais profundo. “Uma árvore boa, não produz frutos ruins.”-dizia Jesus. Se meus frutos, meus atos, não estão em boa condição, consequentemente eu também não estou no caminho certo. Caso meus frutos, meus atos estejam em boas condições, isso é sinal que tudo está funcionando corretamente.
Quem tem mais conhecimento, também tem maior responsabilidade. Assim, devemos buscar serenidade em nosso espírito, e a partir daí, buscar entender as nossas intenções e ações. Permitindo-nos a capacidade de perceber qual o princípio de todo o problema. Temos, porém de começar de alguma forma. Ter a intenção não significa ter a qualificação, mas ter a intenção já é algo raro. Ter a intenção é só o primeiro passo, não é tudo. Vamos partir para a ação. Vamos irradiar alegria, amor, compaixão. Vamos levar a luz que todos nóstemos em nosso coração para o mundo. Vamos levar uma mensagem de amor, em meio ao mundo de desilusão. 

domingo, 4 de setembro de 2011

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  As pessoas gostam de ser únicas. Não conseguem encontrar semelhança. Tudo gera discussão a procura de encontrar uma forma de colocar seu conceito acima de todos. A diferença entre opiniões mostra de que não se vê claramente. São mais de 6 bilhões de pessoas, cada uma com a sua verdade. Para que discutir? Vamos buscar outro caminho.
  “Ame ao próximo como a ti mesmo.”- Se você ama ao próximo como a você mesmo, não discute. Afinal somos todos uma coisa só. Ninguém precisa se sobressair, pois não há concorrência. Quem não compete, não tem como perder. Enquanto os outros perdem o tempo brigando uns contra os outros, eu busco não competir. Se eu não brigo, não tenho como perder. Já basta eu mesmo para lutar, arrumar mais um não dá.
  Estamos todos em busca de um lápis no meio de uma sala. O lápis é o mesmo, é apenas um. Contudo, cada pessoa encontra-se em um lugar diferente da sala. Portanto, há vários “pontos de vistas”, pois cada um vê de um lugar diferente. Sabe qual o nosso problema? A gente consegue enxergar tudo, menos o lápis. O lápis que é o ponto em comum entre todas as pessoas a gente não consegue enxergar. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"O todo"



 Fico tentado a pensar: "a verdade está além da expressão, do entendimento, das palavras", porém, se digo que a verdade está na não-expressão, estou excluindo a outra parte, a própria expressão. Se no "todo" consiste a verdade, então, tanto a expressão, quanto a não-expressão fazem parte da compreensão do todo. As duas se complementam. 
  O silêncio, a serenidade, a não-expressão estão de um lado. A criatividade, a expressão, a reflexão, a experiência estão do outro. Acredito que não é através apenas do silêncio que se conhece o todo, pois assim estaria excluindo a expressão, a fala. O silêncio é o suporte para a ação.  
  As palavras são importantíssimas, podemos compará-las a um tesouro. Se você tem o mínimo de noção, não sai gastando por aí. Pelo contrário, você guarda o tesouro, e sabe a hora certa de usar. Se você usa demais esse tesouro, ele acaba. Se você só gasta com bobagem, pior, pois quando mais se precisa ele não está lá.
  Tenho consciência da minha existência, porém não tenho profundidade. Sei que existe um “todo”, mas não sei o que é esse "todo". Não me preocupo em descobrir. Preocupo-me em viver e buscar renovação a cada dia, a cada hora, a cada respiração. Não estou aqui para saber o que é esse “todo”, estou aqui para um dia fazer parte do “todo”.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Equação insolúvel

 Não há uma única fórmula para toda e qualquer situação. O que existe, é uma fórmula específica para cada situação, momento, experiência de vida. “Se for calmo e pacífico estarei no caminho certo.” De fato, este é um bom caminho, mas não é todo o caminho. É preciso dividir as partes para adquirir tanto a força quanto a leveza. Há momentos em que não há como ser maleável, precisa-se de força, perseverança. É aí que começa o problema. Como ser forte e maleável ao mesmo tempo? Como dirigir e deixar ser dirigido?  O problema, portanto, é saber utilizar os recursos, como na própria matemática. O momento certo para aplicar as diferentes formas de agir.

  Outro problema na equação é a constante. Como toda equação matemática e física exige uma constante, a vida também exige. Como manter o ritmo e a constância dentro de uma vida tão cheia de desafios? Talvez o problema não seja os desafios e sim nós mesmos. Nós somos nossos próprios desafios. A resposta desta equação matemática está dentro de nós. Quem sou eu? Mas será que essa resposta também não é mutável como todas as outras? O “eu” muda constantemente, a cada dia, a cada livro, a cada música, a cada novo conceito adquirido. É difícil manter-se constante nesse processo de eterno aprendizado. Por sermos eternos aprendizes, caímos, cair é inevitável, porém somos nós que decidimos quanto tempo ficamos caídos. 
  A resposta à equação? Parece aquelas dízimas periódicas, quando acho que já encontrei todos os números possíveis, aparecem novos números e eu nunca obtenho a resposta completa, apenas uma pequena parte. Como a água que preenche contínua e gradualmente todos os espaços vazios e enfim segue adiante, eternamente.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A beleza da vida

O que dizer senão à beleza da vida
Que nos acomete em todas as manhãs
Faz-nos parar e olhar aquilo que existe
A procurar problemas inexistentes
Tudo dá se um jeito
Qual a razão de estabelecer um fim?
Um fim no sofrimento
Que existe!
E encontra-se dentro de nós.
Somente dentro de nós.
A beleza?
Não vamos perder nosso tempo procurando
Vamos assistir “Datena”.
Muito mais fácil
Mas quem disse que a vida seria fácil?
A vida não é fácil
A vida é bela.
E em meio a loucura
A simples e pura realidade está perdida.
Na prisão de nossos corações
Nós
Presos a tudo
Presos em nós
Presos na vida
Presos
Presos, não observamos o lado de fora
Presos não visualizamos "A beleza da vida"
Que existe
Está lá fora
Só falta sair pra dá uma olhada





domingo, 17 de abril de 2011

Amanhã...

Viver
Não importa
Apenas viver
Com calma
Um pouquinho daqui
Um pouquinho dali
Tudo tem seu tempo
Pra quê pressa?
As coisas acontecem
Não há o que fazer
Não controlamos nada
Semana passada
Pensávamos que éramos o centro do universo
Ontem
Que a terra era achatada
E hoje não sabemos sequer quem somos
E amanhã?
Ah
Sei lá
Talvez céu nublado, sol
Não sei
O amanhã é apenas o amanhã
Cheio de preocupações
Mas no final
Qual a razão disso?
Qual a razão de viver sem um sorriso no rosto?
Fazer um café com alegria
Almoçar com alegria
Estudar com alegria
Lavar a louça com alegria
Pequenas ações
Nada além disso
Não precisa construir pontes, levantar grandes nações
Sorria 
Agora
Hoje
Apenas isso
Pois é apenas o que temos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Fidelicidade"

    Não existe definição para felicidade. Cada um a enxerga de formas diferentes. Alguns sequer acreditam, outros podem pensar que ela está relacionada a realizações, momentos, bens materiais, fidelidade, enfim. Existe uma série de questões envolvidas.
    Assim, pode-se notar que tudo na vida tem um início e um fim. Impermanência. A vida estará sempre rodeada de momentos bons e ruins. Isso é inevitável. Não há o que fazer. Não adianta ir "contra a maré". Ao invés disso, que tal nadar no sentido da onda? Ser feliz mesmo que a vida lhe derrube a todo momento.Seguindo em frente, independente do que aconteça. Essa é uma boa forma de ver as coisas!
    Ao falarmos de felicidade, não podemos esquecer-nos da palavra fidelidade, que no dicionário significa: "Digno de fé; leal, honrado; Que não falha; com o qual se pode contar; seguro; Exato em fazer as coisas; Verídico, verdadeiro." Com certeza. Acredito que uma pessoa assim deve ser muito feliz "ou não". Podemos considerar todo trabalhador honesto um homem fiel. A fidelidade une honestidade, lealdade, segurança. As duas coisas se conectam. Como ter paz de espírito sem ser fiel? Como ser fiel sem paz de espírito? Essas são boas perguntas. Mas para que complicar? Tenha calma e a felicidade aparece! Veja o que você pode descobrir e pronto. Não há mais o que fazer. Não há uma fórmula específica para ser feliz. Viva, apenas. Você mesmo vai descobrir.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um mês no Rio

  Que maravilha! Andando de bicicleta na orla da praia, todos os dias. Descansando, tomando um sol. Às vezes, água de coco. Vendo o nascer do sol, pôr do sol. Ar limpo e meu nariz sem nenhuma irritação. Vista impecável. Falando muito, comendo muito, rindo muito. É claro que “nem tudo são flores na vida de Jack”. E sim... Tive problemas. Mas no final, eram todos sem importância. Não tinha preocupações ou responsabilidades. Com calma, pensei um pouco na vida e percebi sua beleza. A cada momento descubro algo novo, algo de que não havia me dado conta. Algo que só o tempo traz. A experiência. Como dizia o Nelson Rodrigues: Envelheçam! Envelheçam, logo! Não tenho pressa, estou bem assim, jovem. Tudo tem seu tempo. Aguardo minha hora, com calma.
  Ao voltar, vejo uma massa de ar escuro. É... Estou em “Sampa”. Mas tudo bem, fazer o quê. Tenho que trabalhar-estudar (mesma coisa), correr atrás. Infelizmente gosto de São Paulo. Apesar da poluição, congestionamento, loucura, doideira. Gosto de São Paulo. Tudo tem seu lado bom! Ainda bem, o que seria de nós sem esse lado, lado que nos completa, que nos faz acordar com esperança. Não! Esperança não. Paz de espírito, aqui e agora, sem preocupação com o futuro. Claro, não posso deixar a esperança de lado:
- Eu tenho esperança em um mundo melhor!
-Tá, muito bom! Mas se ficar só na esperança, nada vai mudar.
Tá bom! Posso ter exagerado um pouco, mas tudo bem. Agente exagera às vezes.
  Começaram minhas aulas! Como diz meu pai: “Muito trabalho sem diversão faz de Jack um bobão.” Mas não podemos nos esquecer que... “Muita diversão sem trabalho faz de Jack um otário”. Opa! Paradoxo. Difícil... muito difícil. Mas sei lá, vamo tentar. Quem sabe dá certo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Fui ao mercado, volto já!

Acordei tarde, sem fome, com preguiça de sair de casa. Tive que ir ao mercado comprar algumas coisas que faltavam em casa. Hoje, como muitos sabem, é feriado no Rio de Janeiro. Ruas vazias (Imagino que estejam todos na praia) e um calor insuportável. Saí de casa antes que o mercado fechasse, afinal hoje é feriado. Levei um desses carrinhos de feira. Comprei tudo com relativa rapidez, paguei e fui embora. No meio do caminho, estava atravessando a rua quando o carrinho estourou. Podia ter estourado em qualquer lugar, mas não. Ele preferiu estourar no meio da rua. Carros buzinando, sacola furada e eu tentando tirar aquele trambolho quebrado do meio da rua, em um sol de 40 graus. Tive que levar tudo na mão. Que bom, pelo menos fiz algum exercício. Tava precisando.
Como a vida é doida. Uma hora está tudo bem, de repente alguns problemas aparecem e nos tiram do eixo. Depois tudo volta ao normal e assim vai. É a lei da mudança. A vida fala HEI, não assim. Então caímos. Levantamos e seguimos. Tudo isso para chegarmos no “caminho do meio”. E seguir. Geralmente, não chegamos nesse caminho. Mas e daí? A vida segue seu curso. Faremos o possível e às vezes não. Normal. Cada um vê seu caminho, cada um encontra seu caminho. E se esse caminho for proveitoso, que bom. É assim que tem ser. Sem pressa, as respostas vêm na hora certa. Esquece. Respostas não. As perguntas. É... As perguntas é quem vêm na hora certa.