quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fazendo o nó

  Como eu posso ter a pretensão de melhorar o mundo se nem sequer meu quarto está em ordem? Roupa para um lado, coberta para o outro, e ao sair dele, percebo que mesmo ajudando o mundo meu quarto continua lá, sujo. Se eu quero arrumar o mundo, tenho que primeiro arrumar meu quarto. Escrevo esse texto olhando ao redor, vejo o reflexo do mundo, vejo o meu próprio reflexo. Sou culpado da minha própria sujeira.
  Então, a primeira coisa que vou fazer ao terminar esse texto é arrumar o quarto. Colocarei tudo no devido lugar: meus livros na ordem certa, cama arrumada, roupa arrumada. Sentirei-me mais limpo, mais suave, pronto para continuar a vida. De nada adianta arrumar o quarto se meus costumes continuam os mesmos. Ele pode ficar limpo por um ou dois dias, mas depois de algum tempo tudo retorna a mesma sujeira.
  Parece-me um trabalho constante. O quarto não vai se arrumar sozinho, preciso arrumá-lo todos os dias. Preciso colocar as coisas em ordem, preciso organizá-lo de forma sábia, para não acumular sujeira. Percebi que arrumar o quarto é uma arte, não posso ignorá-lo.
  Meu coração não vai mudar sozinho, minha mente não irá entender as coisas sem o meu consenso. A mente é limitada, se deixo acumular pó ao redor dela, ela ficará suja, cheia e obsoleta. Tenho que buscar todos os dias “arrumar” minha mente buscando entender suas intenções, suas deficiências, se não tomo conta dela, ela acumula sem parar. Fazer um nó é fácil, porém, desfazê-lo exige muita paciência e disciplina.

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