terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sem título

Dispersamo-nos
Entramos em uma espécie de transe
Piloto-Automático
Outro caminho para deixar de pensar
Não sabemos o que queremos
Sabemos viver no passado
Sabemos viver o futuro
A presente realidade é ignorada
Vivemos apenas de lembranças e projeções
A confusão instala-se dentro de nossa mente
Somos presos por nossos pensamentos
Pensamentos que escolhem por onde nos levar
Que nos comanda por falta de uso próprio
Como outro ser independente
Onde o “eu” é colocado em um pedestal
Tentando desesperadamente tornar-se superior
Preocupado em “ter” ao invés de apenas “ser”
Desconstrução
As coisas são como são
Simplificar
Como em uma equação
O universo é confuso e complexo?
Enganação
No final
Nós somos confusos
Nós TENTAMOS ser complexos
O universo não
O universo é simples
A vida é simples
Nós
Somente nós
Corremos no sentido contrário
Andamos em círculos sem fim em busca de absolutamente
NADA
A espera de um dia entender
E quem sabe
Conseguir sair da prisão que nos conforta

Um comentário:

  1. Adriano Garib falou:
    Filhão! Engraçado... Estou lendo um volume muito legal, CONVERSAS COM KAFKA, e o que ele diz, a propósito da vida, é muito similar ao que tentas dizer em seu poema.
    Agora veja: fico um tanto estarrecido ao ver meu filho, um mancebo que nem 16 anos de vida completou ainda, com declarações tão niilistas e desesperançosas! Você é jovem, meu filho! Tens um longo longo futuro pela frente! Podes fazer tantas, realizar tantas belas coisas. Coisas maravilhosas, que se pudesses adivinhar talvez mal acreditarias. O futuro é teu, rapaz! Seus lamentos são justos, mas despropositados para um menino de sua idade! Viva a mil, faça tudo o que puderes, com toda a potência que lhe é nata, pois tempo não lhe falta! Você está apenas na bela aurora da vida: céus, vibro só de pensar: 16 anos ainda não completados! Ah, se eu pudesse voltar... 16 anos ainda não completos...
    Amo você, querido
    sempre
    Papai

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